domingo, 12 de abril de 2009

Medo de ter medo

Até um tempo atrás, a galera achava que síndrome do pânico era um bicho-desete- cabeças. Hoje em dia, felizmente, o problema já tem tratamento.

Por Rose Mercatelli

É difícil não ter pelo menos uma idéia do que seja a tal síndrome. Todo mundo já ouviu falar, conheceu alguém que teve os sintomas ou coisa que o valha. Ainda assim, muita gente não sabe onde buscar tratamento e nem como pode ajudar um amigo ou familiar que está entrando nessa. Facinho, facinho, não é. Mas é possível encontrar tratamento e apoio, para vencer o problema na boa e voltar a sorrir. Quer ver só?

Os primeiros sinais

De repente, o coração dá um salto e dispara. A garganta aperta e o ar parece não querer entrar nos pulmões. A visão fica borrada e escurece. Um suor gelado gruda na pele e a tontura faz desaparecer o chão debaixo dos pés. Em seguida, um medo intenso toma conta da gente, como se fosse um pressentimento de que algo ruim está para acontecer.Uma garota , de 15 anos, estava no metrô quando se sentiu assim pela primeira vez. Apavorada, só queria chegar em segurança à sua casa. Mas, antes mesmo de descer, a sensação pavorosa já tinha acabado, como se nunca houvesse existido. Os ataques de pânico voltaram mais umas duas ou três vezes, no metrô e no pátio do colégio. Porém, passaram rapidamente. A garota

não contou nada para ninguém com medo de ser acusada de estar “com frescura”, como a galera costuma dizer quando percebe algo diferente no outro, mas não faz o mínimo esforço para entender o que está rolando de verdade.

O medo não voltou por um tempo. A garota tinha se esquecido dele, até que, num domingo, quando estava escutando música em seu quarto, lá veio aquela sensação horrível de novo. Dessa vez foi tão forte que ela chamou a mãe. Por sorte, no dia seguinte, depois de escutar sua história, o médico fez o diagnóstico:ela estava sofrendo com a síndrome do pânico, uma doença cada vez mais comum e que atinge todo mundo, sem distinção de classe social, raça ou idade.

Tudo de uma vez só

O problema, há 20 anos, era chamado de crise aguda de ansiedade. Porém, a partir da década de 80, foi rebatizado como síndrome ou transtorno do pânico. Ele pode ser entendido mesmo como uma megacrise de ansiedade, que consegue reunir vários sintomas, mais fortes ou fracos, dependendo da pessoa. Eles podem ser os mesmos ou variar a cada ataque. Os mais freqüentes:

Tremores e formigamento nas mãos
Sensação de desmaio
Taquicardia
Dificuldade de respirar e boca seca
Transpiração abundante, mãos e pés gelados
Tonturas, vertigens e náuseas
Zumbidos no ouvido
Acordar, do nada, assustada
Sensação de estar fora do ar
Medo de que algo terrível aconteça
Pavor de morrer

Como estes sinais são comuns a outros distúrbios, físicos ou psicológicos, nem sempre o médico sabe dizer de primeira o que está acontecendo, pois o pânico pode ser confundido com outros problemas médicos.

Ai, que medo!

Primeiro surge um terror repentino, sem nenhum motivo aparente. Mesmo assim, esse medo exagerado detona uma série de sintomas físicos intensos. Uma crise pode levar de três a quatro minutos até meia hora, no máximo. “Assim como um sonho ruim surge, de repente, no meio de um sono, a crise de pânico aparece sem dar aviso”, diz a psicóloga e psicoterapeuta Rita de Cássia Calegari, do Hospital São Camilo. Depois do primeiro ataque, a pessoa costuma criar um novo tipo de apreensão, chamado de agorafobia, que é o medo de sentir medo novamente. Não raro, ela então, começa a evitar as situações que desencadearam a crise. A garota, por exemplo, desistiu de andar de metrô, acreditando que alguma coisa ali fazia seu coração disparar. Até que teve uma crise em seu próprio quarto.


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